Cultura organizacional x Cultura da sua casa

Juliana Gola
07 junho 2021

Você acorda, passeia com o cachorro, toma seu café com duas torradas e uma fruta, lê as notícias pelo celular e, lá pelas dez horas, começa a primeira reunião. Ou então, você acorda, checa as notificações das redes sociais, toma um banho, segue até a hora do almoço com o computador no colo em jejum. Espera, você tem filhos! Acorda mais cedo, prepara o café da manhã deles, toma o seu, separa uniforme, lancheira, checa a geladeira e a lista de compras do supermercado, e então começa a trabalhar. São muitas as configurações de rotina de uma casa, todas elas seguindo um combinado entre os membros habitantes para atingir o máximo de harmonia possível. E, sim, claro, com muitas variáveis, mas tendendo a ser parecida quanto mais passa o tempo e as coisas se encaixem. Podemos chamar esse conjunto de costumes e realizações de uma família de Cultura. Assim como chamamos em uma empresa de Cultura Organizacional.  

Mas, e quando as culturas se misturam, interagem, não se desprendem uma da outra? Como conciliar? A adaptação ao home office vem sendo assunto desde março de 2020 quando o mundo se isolou em casa para aprender a lidar com um vírus fatal e de grande potencial de transmissão. O coronavírus nos fez mudar as rotas e colocar em discussão formatos antes inquestionáveis. Será que as reuniões podem ser marcadas na hora do almoço? Há ainda claramente uma hora para o almoço? Entender o que pode ser maleável e o que deve permanecer inalterado virou questão de saúde, não apenas do indivíduo como de toda sua família de convívio direto.

Liderando jornadas de transformação cultural pelo mundo, a consultora britânica Carolyn Taylor escreveu o livro “Walking the talk – Building a culture for success” com exemplos e histórias de empresas que passaram por mudanças e impactaram diretamente a vida das pessoas ao redor.

“Existem padrões de comportamento, encorajados, ou não, tolerados, ou não, que vão moldando costumes de acordo com normas. Então, você pode, conscientemente, construir a cultura que quiser”, disse ela em uma conversa com o técnico Bernardinho, em junho do ano passado, na 3ª edição da ArcelorMittal Talks

O que ela repete inúmeras vezes por onde passa é:

“O que você faz importa mais do que o que você diz”. E exemplifica: “Um líder que promove uma pessoa que não trabalha bem está dizendo aos demais que é aquele tipo de trabalho que a empresa quer. Ou ainda, para entender os valores de uma pessoa, basta checar os gastos dela. Isso, para mim, é autenticidade, congruência entre o que acredita e o que faz”. 

Trazendo para a realidade em pandemia, alguns exemplos são claros. Uma empresa que respeitava os horários combinados de execução de tarefas em ambiente presencial e passa a enviar mensagens de trabalho depois do expediente. Reuniões que tinham um intervalo pela distância de locomoção ou, que seja, pela pausa no cafezinho, e passam a emendar chamadas pelo zoom uma atrás da outra. Ou ainda, a falta de comunicação entre as diversas áreas que deixam de acontecer por não estarem no mesmo ambiente, gerando ruídos entre ações e decisões tomadas pelos líderes. Toda essa nova estrutura requer novos posicionamentos e clareza nas adaptações

Carolyn conta que começou a se debruçar sobre tudo o que envolve a cultura organizacional quando parou para pensar que adultos continuam se desenvolvendo.

“Os estudos sobre a infância são muitos, mas o ser humano nunca para de se desenvolver. Eu percebi que uma mesma pessoa em uma companhia tinha um comportamento, mas quando mudava de empresa, mudava também sua maneira de ser. Isso me fez pensar no quanto a cultura organizacional se sobrepõe ao indivíduo”. 

Na mesma toada, o técnico Bernardinho conta que se deu conta deste processo quando percebeu que o esporte não era uma indústria de quem ganha ou perde. “As vitórias e derrotas são subprodutos de uma cultura forte, um time alinhado e lideranças positivas. A estrutura é quem define, estamos falando sobre o crescimento de pessoas.”

Se a cultura tem esse poder de influência sobre nossos valores quando em parte do nosso dia estamos nas empresas, como é que fica quando as empresas estão dentro das nossas casas? A reflexão das organizações deve girar em torno da qualidade dessa influência e no quanto podem ditar este novo ritmo. 

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