Em flow com o paratleta Mário Tebet

Que tal uma história de superação para começar a desligar de 2021 e olhar para 2022? Mario Tebet tinha cinco anos quando sofreu um AVC que limitou parte dos movimentos do lado direito do seu corpo. Na última semana, ele foi o único paratleta, entre 150 atletas inscritos, a participar da Fodaxman Extreme Triathlon, uma prova de triatlo extremo de 18 horas que começa às 4h da manhã. Que tal uma história de superação para começar a desligar de 2021 e olhar para 2022? Mário Tebet tinha cinco anos quando sofreu um AVC que limitou parte dos movimentos do lado direito do seu corpo. Na última semana, ele foi o único paratleta, entre 150 atletas inscritos, a participar da Fodaxman Extreme Triathlon, uma prova de triatlo extremo de 18 horas que começa às 4h da manhã. O primeiro apoio da Flow Brasil foi em 2019, quando participou do Mundial do Ironman 70.3 em Nice, na França. Ele é amigo de infância do CEO Márcio Cassin e conversou com a gente:

Como foi a realização da prova?

Foi fantástico! Eu consegui superar os meus limites e concluir a prova, que era o meu objetivo principal. Ser o primeiro e único paratleta participando não me diferenciou dos demais atletas, e eu pude fazer tudo o que os demais fizeram. Todos nós nadamos, pedalamos e corremos as mesmas distâncias, mas eu tinha o desafio pessoal, além das distâncias, com a natação de quatro mil metros, iniciando no escuro à quatro da manhã, num trajeto de 173Km do ciclismo, a serra do Rio do Rastro no meio do caminho a ser vencida e na corrida, uma maratona para percorrer (42,2 Km de distância). Foi a primeira vez que participei de uma prova de triatlo na distância full, onde o desafio aumentou ainda mais. E por isso tudo, por ter conseguido vencer todos esses desafios, depois de 18 horas e 40 minutos de prova ininterruptas, conseguir cruzar a linha de chegada, com minha esposa e meus staffs me acompanhando nos últimos quilômetros da prova, tornou para mim, a conquista do Fodaxman ainda mais especial.

Sobre o conceito de flow, de concentração profunda, como você coloca ela na sua atividade? Como é o seu flow?

Quando fechamos a primeira parceria, o Márcio me apresentou um artigo onde descrevia como era o conceito de flow. Eu li, reli, até entender e conseguir trazer para as minhas atividades do dia a dia. No trabalho, quando planejo um projeto, eu determino os pontos a serem analisados e vou cumprindo etapa por etapa, focando no que é realmente necessário. Fico imerso em cada ponto, focado nas atividades que compõem cada uma das metas estabelecidas. E é no esporte que consigo chegar mais vezes no flow. A preparação para as provas de triatlo é composta por longas horas de treino e distâncias percorridas, com intensidades variadas. Na natação, no ciclismo e na corrida, quando tenho que percorrer longas distâncias e quando consigo equalizar os movimentos, é como se minha mente entrasse em um estado de concentração máximo. Nesse estágio, os movimentos fluem com cadência e força necessária para o exercício.

Como você vê a sua capacidade de lidar com as adversidades?

Quando encontro algum evento adverso, analiso o problema e busco as soluções mais simples para que a atividade volte a funcionar. Depois, analiso as variáveis, indicadores e todos os dados, e proponho ações para solucionar o problema de forma definitiva. As vezes com proposições de melhorias dos processos correntes. Trazendo essa questão para a prova do Fodaxman, alguns exemplos de adversidades que foram tratadas para que eu pudesse chegar ao fim da prova e concluí-la: 1) a natação começando de noite. Eu não estou acostumado a nadar neste horário e tive que me adaptar durante a prova. Eu senti medo, mas ao iniciar, sse medo foi se desfazendo e consegui nadar de forma fluida. 2) no ciclismo, tinham dois trechos de extrema dificuldade: a serra do Rio do Rastro, com sua altimetria imponente e o trecho após a serra, onde encontrei vento forte, chuva, frio, calor, todas essas variações além das subidas e descidas que deixavam esse trecho extremo. Era um desafio que teria que vencer de qualquer jeito para seguir na prova. Então eu encarei esta etapa do desafio da mesma forma que encarrei os treinos para a prova. E consegui, a cada pedalada, percorrer todos os 173km do trajeto. 3) na corrida, já cansado depois de 12 horas de prova, eu teria que correr uma maratona (42,2 km). Eu comecei com um ritmo confortável, até lento, e aos poucos fui aumentado o ritmo até chegar ao ritmo ideal e confortável para seguir até o final. Até o quilômetro 21, eu consegui utilizar bem essa estratégia. Mas com o cansaço evidente, eu tive que adaptar a minha estratégia de corrida para chegar ao fim da prova. Essa nova estratégia me levou até o quilômetro 34. Faltavam oito para terminar a prova. E mais uma vez o cansaço veio muito forte, não conseguindo mais correr. Nesse momento, eu tinha duas opções: desistir ou caminhar oito quilômetros até a linha de chegada. E a minha decisão foi caminhar.

Ao cruzar a linha de chegada, refletindo, cheguei à conclusão que as decisões que tomei durante o trajeto da corrida foram as mais assertivas para cada momento adverso durante o trajeto. Tive que adaptar a minha estratégia de prova pra poder cruzar a linha de chegada. Tive que ser resiliente durante as adversidades ocorridas e continuar em frente. Foi duro. Foi difícil. Foi dolorido. Foi cansativo. Mas segui em frente até o fim. Eu devo isso tudo à preparação prévia que fiz. Eu treinei durante muitas horas para poder desempenhar o que fosse necessário para chegar ao fim da prova. E eu queria muito chegar ao final. Cruzar a linha de chegada. Eu desejei isso. E foram esses argumentos que, durante os oito quilômetros finais da corrida, me fizeram continuar a cada passo até cruzar a linha de chegada.

E fique de olho que tem podcast com ele em breve!

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