A imagem capta uma mulher vestida profissionalmente, de pé em um palco e falando para uma audiência, gesticulando para enfatizar seu ponto. Ela segura um microfone sem fio na mão direita e parece estar no meio de uma explanação importante. O termo Braving associado à imagem sugere que ela está discutindo conceitos de relacionamentos organizacionais frequentemente associados à sua área de especialidade.

Braving: potencializando relacionamentos e ambientes organizacionais

A metodologia Braving, de Brené Brown, é uma ferramenta poderosa para avaliar e construir confiança em relacionamentos, especialmente em ambientes organizacionais. 

Este artigo explora os sete elementos essenciais dessa metodologia e sua aplicação no ambiente organizacional.

 

Origem e Desenvolvimento da Metodologia Braving

A história de como Brené desenvolveu a metodologia Braving começa com algo bem pessoal. Sua filha passou por uma experiência difícil de quebra de confiança: ela contou um segredo a dois amigos e eles espalharam para a turma toda, e isso a deixou muito magoada. 

Ellen chegou em casa dizendo que nunca mais confiaria em ninguém e isso fez Brené refletir sobre a natureza da confiança.

Usando bolinhas de gude, ela criou uma metáfora bem interessante para falar sobre confiança com sua filha. 

Basicamente, ela explicou que confiança é como um jarro que você vai enchendo com bolinhas de gude. Cada vez que alguém faz algo que merece sua confiança, colocamos uma bolinha no jarro. E só compartilhamos coisas importantes com quem tem o jarro cheio de bolinhas conosco. 

A partir daí, Brown começou a se aprofundar em como as pessoas ganham essas “bolinhas” de confiança.

Ao olhar para o trabalho do John Gottman, Brené descobriu que a confiança é construída em pequenos momentos, nas coisas aparentemente sem importância do dia a dia. Sabe aquelas pequenas gentilezas que fazemos? 

São elas que contam.

Eventualmente, isso tudo levou Brené a criar a metodologia Braving, um acrônimo que contém os elementos fundamentais da confiança.

 

Os Sete Elementos da Confiança

Boundaries (Limites)

O “B” em Braving, significa boundaries, ou seja, limites. Basicamente, trata-se de estabelecer claramente o que é aceitável e o que não é, tanto para você quanto para os outros. 

É com limites que se constrói a confiança.

Quando falamos de limites, estamos falando sobre saber dizer “sim” e “não”, sobre até onde podemos ir em nossas relações, sejam elas pessoais ou profissionais. É entender que cada pessoa tem seu espaço e suas necessidades, e que respeitar isso é fundamental para um relacionamento saudável e confiável.

Na metodologia Braving, o objetivo é criar um ambiente de respeito mútuo e, consequentemente, de confiança.

 

Reliability (Confiabilidade)   

Já a confiabilidade, na Braving, refere-se à consistência em cumprir o que você promete. 

Em outras palavras, é fazer o que você diz que vai fazer, repetidamente. Isso não significa apenas seguir sua palavra uma vez, mas construir um histórico de ações confiáveis ao longo do tempo.

No contexto profissional, por exemplo, isso significa estar ciente de suas competências e limitações para não prometer mais do que pode entregar. 

Se você se compromete com mais do que pode gerenciar, acaba incapaz de cumprir tudo, ou cumprindo em um nível de qualidade inferior ao que poderia se tivesse menos em seu prato.

E isso também se aplica à vida pessoal. Confiabilidade pode ser algo tão simples quanto dizer que você ligará para alguém e realmente ligar, ao invés de apenas dizer. 

Confiabilidade é sobre alinhar suas ações com suas palavras.

 

Accountability (Responsabilidade)

Accountability é assumir responsabilidade pelas suas ações, especialmente quando as coisas dão errado. É ter a coragem de admitir erros, pedir desculpas e fazer o necessário para reparar a situação. 

Na prática da metodologia Braving, fazer a coisa certa quando tudo vai bem e também quando você comete erros. Por exemplo, se você falha em cumprir um compromisso, é importante não só reconhecer o erro, mas também entender como o seu erro afetou a outra pessoa, tomando medidas para evitar que aconteça novamente.

No ambiente de trabalho, isso pode se traduzir em assumir a responsabilidade por um projeto que não saiu como planejado, ao invés de procurar desculpas ou culpar outros. 

Em um relacionamento confiável, ambas as partes reconhecem seus erros, pedem desculpas e trabalham para corrigi-los.

Vault (Cofre)

Na Braving, a ideia do “Cofre” gira em torno da proteção e do sigilo das informações compartilhadas. 

É sobre manter confidenciais as histórias e informações que as pessoas confiam a você, é sobre não compartilhar detalhes pessoais ou sensíveis de alguém sem a permissão dessa pessoa. 

Essa ação de proteger as informações constrói uma base sólida de confiança, porque as pessoas sabem que podem contar com você para manter suas confidências.

Mais importante, o “Cofre” também se refere a não compartilhar informações sobre terceiros. 

Se alguém fofoca com você sobre outra pessoa, por exemplo, pode diminuir a confiança que você tem nessa pessoa que está fofocando. 

O respeito deve ser mútuo: respeitar a história de outra pessoa como se fosse sua.

 

Integrity (Integridade)

Para Brené, a integridade envolve mais do que apenas ser honesto. São três componentes principais:

  • escolher a coragem em vez do conforto; 
  • escolher o que é certo em vez do que é divertido, rápido ou fácil, e; 
  • praticar seus valores, não apenas professá-los.

Ou seja, ser íntegro significa ter suas ações alinhadas com seus valores e princípios. É ser consistente, seja em situações fáceis ou desafiadoras. 

É fazer escolhas difíceis que podem não ser as mais confortáveis ou populares, mas que são corretas e alinhadas com seus valores.

Por fim, integridade também se relaciona com a consistência: ser uma pessoa em quem os outros podem confiar para agir e responder de maneira previsível e ética.

 

Non-judgment (Não-julgamento)

O pressuposto de Não-julgamento, em Braving, envolve a capacidade de pedir ajuda e oferecer ajuda sem julgar a si ou aos outros. 

É uma via de mão dupla: você deve ser capaz de se abrir e ser vulnerável sem temer julgamentos, e também deve oferecer um espaço seguro para que os outros possam fazer o mesmo. 

Todos temos momentos de fraqueza ou necessidade, e buscar ou oferecer ajuda nesses momentos não deve ser motivo de vergonha — nem de julgamento.

Generosity (Generosidade)

Generosidade, no contexto de Braving, refere-se à habilidade de atribuir as melhores intenções às palavras e ações dos outros. 

Ser generoso é dar às pessoas o benefício da dúvida, especialmente em situações onde houve um mal-entendido ou um erro. 

Ao invés de presumir o pior, a generosidade nos leva a considerar que talvez haja uma explicação razoável ou justificativa para as ações de uma pessoa.

Por exemplo, se um colega de trabalho não cumpre um prazo, ao invés de assumir imediatamente que ele é preguiçoso ou desorganizado, a generosidade nos encoraja a considerar outras possibilidades, como ele estar sobrecarregado com outras responsabilidades ou enfrentando problemas pessoais. 

Essa abordagem ajuda a manter a confiança e evita mal-entendidos desnecessários.

 

A metodologia Braving, na prática

Em resumo, o núcleo da Braving está na compreensão de que líderes vulneráveis são mais eficazes na construção de confiança e relacionamentos autênticos com suas equipes.

Mas é importante ressaltar que para Brené, a vulnerabilidade não é uma fraqueza, mas coragem para se expor, admitir limitações e aprender com os próprios erros. 

Em um contexto organizacional, líderes que demonstram vulnerabilidade são vistos como mais autênticos e confiáveis, criam um ambiente onde os erros são vistos como oportunidades de aprendizado e crescimento, e não como falhas a serem escondidas.

No ambiente de trabalho, o Braving se mostra essencial para construir um espaço de confiança e produtividade. 

Exemplos práticos:

Cada um dos sete elementos do Braving contribui para um clima organizacional mais saudável, onde a confiança não é apenas um valor, mas uma prática diária.

  • Boundaries: líderes estabelecem e respeitam limites claros, promovendo um ambiente de trabalho saudável.
  • Reliability: demonstram confiabilidade através da consistência entre suas palavras e ações.
  • Accountability: assumem a responsabilidade por suas ações e decisões, incentivando a mesma postura em sua equipe.
  • Vault: protegem informações confidenciais, criando um ambiente de segurança psicológica.
  • Integrity: agem de acordo com seus valores e princípios, mesmo quando é difícil.
  • Non-judgment: criam um espaço onde a equipe pode compartilhar desafios e preocupações sem medo de julgamento.
  • Generosity: atribuem as melhores intenções às ações dos outros, promovendo um clima de empatia e compreensão.

 

beBrave

O programa de desenvolvimento de lideranças da Flow Group, o beBRAVE tem como um dos fundamentos a metodologia Braving, principalmente com o uso do conceito de vulnerabilidade e da abordagem brave, na qual trabalhamos a postura de construção de confiança para liderança ― focada em comportamento individual.

Somando a metodologia Braving de Brené Brown com conceitos do estado de flow, além de outros métodos do desenvolvimento pessoal, oferecemos um caminho prático e reflexivo para construir e manter relacionamentos profissionais. 

No ambiente profissional, a adoção de uma abordagem multidisciplinar vai elevar de maneira significativa as interações e a cultura organizacional da sua instituição ou organização.

Para mais informações sobre o beBRAVE, clique aqui!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fique por dentro das nossas novidades

A Flow Group é uma consultoria global que prepara pessoas, equipes e organizações para o crescimento, relacionando habilidades e desafios, em programas de Cultura Organizacional, Liderança, Trainee & Estágio.

  • Rua Macunis, 68 - Vila Madalena, São Paulo, Brasil

  • marcio.cassin@flgbrasil.com

  • Telefone: (11) 96647-8080

Flow Group © 2020 Todos os direitos reservados | by Next4